Olhando a neblina sobre a cidade, me perco em pensamentos.
Sentada na varanda, relembro.
Relembro um tempo marcado de coisas boas. Um tempo onde ao
acordar cedinho, tinha-se café quentinho e brincadeiras. Quando não havia
preocupações, e a única coisa que fazia sentido era comer bolo da vovó quentinho,
feito com amor e carinho.
Tempo em que qualquer coisa virava brinquedo, papel, lata,
um pedaço de pau esquecido pelo avô que era marceneiro. Tempo em que a avó
costurava as bonecas, tecia seus cabelos de crochê e éramos felizes com o
pouco.
Tempo onde histórias ao redor do fogão a lenha em dias de
falta de luz eram sagradas. Vovô adorava esses dias, era quando ele nós
assustava com suas histórias de lobisomens, mulas sem cabeças e muitos outros
seres folclóricos. Há e um detalhe – já vistos por ele. Vovô era mesmo uma
figura.
Tempo em que brincar de bonecas, de pique, esconde-esconde
eram divertimentos incompreensíveis. Onde a bola, não era comprada não, era
feita de meia, e retalhos furtados da vovó.
Assim me perco todas
as vezes que relembro da casa da vovó e de como ela era, com seus cabelos
escuros, sua pele branquinha, parecia uma porcelana, seu rosto já marcado com
as rugas idade, linda no seu jeito de ser, a nona italiana, que fazia pão
gostoso, massas e macarrão. Há vovó todas as vezes que te recordo me perco
dentro de mim mesma, e o coraçãozinho aperta.
E assim continuo sentada na minha varanda, me perdendo em
devaneios. Que sei que não mais acontecerá.
A tristeza invade minha alma e o coração emana sofrimentos e faltas não
supridas assim, como às lágrimas que correm pelo meu rosto. São tempos de
alegrias, tempos de saudades, tempos de acontecimentos cultivados e guardados
com carinho nos recônditos da memória e do ser.
Por Janaine Moreira
dos Santos
Nenhum comentário:
Postar um comentário