segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Tempo de Saudade

Olhando a neblina sobre a cidade, me perco em pensamentos. Sentada na varanda, relembro.
Relembro um tempo marcado de coisas boas. Um tempo onde ao acordar cedinho, tinha-se café quentinho e brincadeiras. Quando não havia preocupações, e a única coisa que fazia sentido era comer bolo da vovó quentinho, feito com amor e carinho.
Tempo em que qualquer coisa virava brinquedo, papel, lata, um pedaço de pau esquecido pelo avô que era marceneiro. Tempo em que a avó costurava as bonecas, tecia seus cabelos de crochê e éramos felizes com o pouco.
Tempo onde histórias ao redor do fogão a lenha em dias de falta de luz eram sagradas. Vovô adorava esses dias, era quando ele nós assustava com suas histórias de lobisomens, mulas sem cabeças e muitos outros seres folclóricos. Há e um detalhe – já vistos por ele. Vovô era mesmo uma figura.
Tempo em que brincar de bonecas, de pique, esconde-esconde eram divertimentos incompreensíveis. Onde a bola, não era comprada não, era feita de meia, e retalhos furtados da vovó.
 Assim me perco todas as vezes que relembro da casa da vovó e de como ela era, com seus cabelos escuros, sua pele branquinha, parecia uma porcelana, seu rosto já marcado com as rugas idade, linda no seu jeito de ser, a nona italiana, que fazia pão gostoso, massas e macarrão. Há vovó todas as vezes que te recordo me perco dentro de mim mesma, e o coraçãozinho aperta.
E assim continuo sentada na minha varanda, me perdendo em devaneios. Que sei que não mais acontecerá.  A tristeza invade minha alma e o coração emana sofrimentos e faltas não supridas assim, como às lágrimas que correm pelo meu rosto. São tempos de alegrias, tempos de saudades, tempos de acontecimentos cultivados e guardados com carinho nos recônditos da memória e do ser.


Por Janaine Moreira dos Santos

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