Todos os meus poemas, em sua imensidão, são para você vovó...
Já faz algum tempo que não escrevo. Ainda não sei informar
um por que. Às vezes as palavras até se manifestam em minha mente, mas se vão a
um piscar de olhos e perdem-se no meu inconsciente que mais parece um
emaranhado de confusões. Às vezes as palavras se misturam com as lembranças, e
os devaneios com a saudade. Uma onda de palavras invade a imensidão do meu ser e
uma chuva de inspiração se instala. Gostaria que esses momentos fossem constantes
e prazerosos e que emergissem numa tarde feliz e ensolarada e não em meio à noite
quando muitas vezes o meu corpo decide dar sinais de dor e minha cabeça decide viajar
pelos caminhos incansáveis da imaginação. Por um pequeno instante posso pensar em
não mais querer manifestar minhas emoções num pedaço de papel, mas em outro quero
ter comigo uma caneta e ele o papel, para sempre escrever as frases incompreensíveis
e confusas que suscitam do fundo de minh’alma.
Se me perco em mim mesma, sei que é porque sou um livro criptografado
de gravuras cotidianas de um ser melancólico e poético que vive imerso em fantasias,
rancores e palavras. Por um momento penso em não mais ser eu, mas recordo que era
assim que ela me via e assim que ela gostaria de continuar me vendo onde estiver.
Por Janaine Moreira dos Santos
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