quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Um grito no escuro


Um cotidiano repleto de flores, cores e alegria. Borboletas que voam sobre nossas cabeças, um infinito mar de sorrisos, é tudo o que precisamos para tornar o dia mais divertido, mas tolerável de se viver.
Acordar todas as manhãs e sentir peso nos pés e no corpo sem ter a mínima vontade de fazer nada, nem ao menos as tarefas cotidianas, fechar os olhos e pedir incansavelmente que o mundo esqueça-se de você, que mundo e todas as pessoas nem imaginem que você existe.
As vezes o cotidiano não se pinta de cores, mas deixa tudo cinza sem ânimo.
Uma vez ou outro o monstro vem visitar-me e provoca em mim sensações de medo e solidão, sensações de desespero e infelicidade. 
Hoje não mais do que ontem ele visitou meu ser, invadiu meu dia e deixou ele cinza.
E uma luta eterna é travada com ele todos os momentos em que ele resolveu dar as caras.
Há dias em que o colorido de uma música, de um poema e de um sorriso consegue assustá-lo, mas tem momentos que ele toma conta da minha alma e me faz não ter vontade de viver.
Monstro, por que não vai embora e me deixa viver mais feliz?
Não sei o porquê, mas meu eu interior tem vontade de desistir...
O barco está furado, a canoa virou como diz a canção, e não tenho forças para nadar contra a correnteza, meu eu grita incessantemente por ajuda... Meu eu grita no escuro...
Não quero afundar, mas sinto que estou me afogando e o monstro cada vez mais me puxa com mais força para as águas fundas da escuridão...
E meu eu grita no escuro!

Por Janaine Moreira dos Santos



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