sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Uma garotinha diferente


Tudo despedaçado,
Ela era a menina mais feliz do mundo quando criança...
Aprendeu a tocar violão e cantar, desenhava, fazia muitas coisas das quais qualquer pessoa tem vontade de aprender.
Mas enfim, chegou o momento de crescer e isso não fez ela Feliz, sabia tantas coisas, gostava de aprender, mas uma coisa lhe faltava neste momento, o tempo. O tempo parecia ser seu eterno inimigo...
As coisas não eram mais coloridas como antes. Desaprendeu a sorrir. A menina que um dia sonhou ser artista, estava desiludida da vida e sem ânimo e forças para continuar...
A menina que queria alcançar as estrelas, viajar por todo o espaço sideral, andar sobre lua, hoje estava triste e desanimada com a vida. Não havia motivos para sorrir, ela parecia um bug, um defeito, uma peça de quebra-cabeça que não se encaixa no lugar aonde esta, um produto defeituoso que em todos os lugares que vai é deixado de lado e desprezado por ser diferente. As pequenas coisas que gosta, os seus pequenos contentamentos são estranhos aos olhos do todo.  Os seus livros não são tão legais assim aos olhos do mundo, a sua cabecinha de criança eterna é incompreensível, as suas pequenas atitudes bobas e frustradas de aproximação a deixam infeliz.
Às vezes eu penso que ela devia desistir de agradar ao mundo, mas ela não consegue se desprender das relações, ela tem fome de comunicação, mas as pessoas parecem não querer falar com ela, às vezes ela pensa consigo mesma, “o que há de errado comigo?”.
De repente, um dia desses, essa garotinha já não quer mais fazer um grande esforça para que o mundo a aceite, ele prefere desistir e se esconder no seu pequeno quarto, com seus mundos fantasiosos e sua mera auto-reflexão, ela prefere viver no mundo da fantasia ao invés de permanecer na realidade, ela decide não mais lutar com a vontade de conhecer as pessoas e tentar modificar-se para que gostem dela, ela enfim decide ser ela mesma, na sua total incompreensão, na sua total desordem interna, na sua maneira totalmente desigual de apreciar o mundo e as coisas.
Torço muito para que um dia desses a garotinha, esqueça-se de tudo que já aconteceu em sua vida e comece a acreditar em si mesma, sei que por enquanto ela não pode, mas talvez um dia, quando o mundo lhe oferecer melhores oportunidades, e pessoas capazes de compreender sua maneira tão delicada e complexa de ser ela consiga atravessar a linha tênue entre a tristeza rumo à felicidade e não mais haverá dias em que a infelicidade invadirá seu pequeno ser, e ela em sua sutileza aprenderá a sorrir novamente e reconhecerá que o mundo lhe fez sofrer mas recompensou permitindo que ela fosse novamente a eterna criança feliz.


Por Janaine Moreira dos Santos

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